segunda-feira, 18 de março de 2013


A Dama de Pedra

Capítulo 1 

No começo os dias demoravam séculos pra passar, hoje, vejo centenas de anos passando como dias.
A princípio acho que isso se devia ao fato de ter que ficar olhando para os ombros dele o dia todo, e em ficar imaginando a possível expressão de satisfação em seu rosto, mas assim como não há magia eterna, não existe sentimento que dure para sempre também, nem mesmo o ódio.
O fato desse meu rancor estar desaparecendo aos poucos, se deve em suma a minha curiosidade que cada vez se tornou maior em relação á aquela criança que me visita todos os dias.
Aos poucos percebi que passava mais tempo imaginando o porquê que ela gostava tanto de ficar me admirando ou invés de ficar pensando em como pretendia dizimar meu sentinela.
O longo tempo que passei sob o feitiço me ajudou em uma coisa pelo menos, tive muito tempo pra pensar, e pensei muito mesmo, e isso me tornou uma pessoa mais sábia, acredito. Não digo que me tornei uma filosofa, pois não pude observar o mundo, apenas vi o tempo passar em uma parte dele, e essa parte ficava entre as duas silhuetas á minha frente.
A maioria do tempo, só buscava por vingança, mas aos poucos, outros pensamentos começaram a ocupar a minha mente, até que aquela menininha apareceu e se tornou o centro de tudo.
Queria muito saber a que mundo ela pertencia, o que havia mudado enquanto estava aqui petrificada  e acima de tudo queria entender como ela conseguiu chegar até mim, porque, durante muito tempo nenhum humano havia de aproximado.
Como estaria o mundo ao meu redor?
Todas as pessoas que conheci morreram á tempos, agora só me restam o mestre, “ele” e a menininha como faces familiares. 
Pergunto-me o que deve estar se passando na cabeça do mestre e dele, se eles estão concentrados em me derrotar e pegar o livro de volta quando meu feitiço terminar, se terminar, pois se tem uma forma de quebrá-lo e voltar ao normal, eu não sei, talvez nem eles saibam, mas, pelo medo desse dia eles decidiram aceitar a mesma sina que a minha.
 Por todo esse tempo me perguntei o porquê de tudo isso, mas logo cheguei a conclusão de que a culpa foi da minha ingenuidade, se Ele queria tanto o livro com os feitiços bastava tê-lo roubado, mas talvez soubesse que não era hábil o bastante, por isso me convenceu a fazê-lo por ele e depois virou o jogo todo a seu favor. E hoje lá está Ele, todo respeitável e como braço direito do mestre, esperando a vilã despertar para conseguir pegar o livro de volta, não para dá-lo ao seu verdadeiro dono, o mestre, mais para tê-lo para si e enfim se tornar o soberano.
Todos os dias me forço a lembrar do passado, pois tenho medo de que com o passar do tempo, fosse esquecendo o porquê de estar aqui.
Na minha juventude, a magia era uma prática elitizada, onde poucos sabiam e menos ainda ensinavam, então, ter um mestre para me passar seu conhecimento, me tornava uma pessoa de muita sorte, porém, tanto eu quanto Ele, achávamos que a magia deveria ser ensinada as pessoas comuns como forma de melhorar o seu dia a dia, pois éramos chamados para resolver problemas tão simples e que facilmente poderiam ser resolvidos pela pessoa se a ela fosse passado alguns ensinamentos básicos da magia, mas o Mestre não via as coisas assim, pois nossos serviços eram muito bem pagos e ao mesmo tempo, ele dizia que tinha medo desse poder cair nas mãos de ignorantes.
Devido a essa utopia que vivia em minha mente, que Ele me convenceu a roubar o livro do mestre, mas Ele não pensava como eu, Ele só queria uma coisa, poder.
Depois que havia pegado o livro, Ele me entregou ao mestre, tentei explicar, mais o livro em minhas mãos já dizia tudo. O ódio tomou meu coração quando vi sua face vitoriosa ao me ver lutando contra o mestre. Tudo se encaixou em um piscar de olhos, pois sempre fui melhor que Ele, mas não porque me sentia superior, na verdade vê-lo se esforçando para me alcançar me fazia querer aprender ainda mais para tê-lo perto de mim, pois se seus poderes se igualasse aos meus, sentia que minha companhia não lhe fosse mais útil. 
Como meus poderes eram grandes demais para serem destruídos, o mestre me lançou esse feitiço como ultimo recurso, e aqui estou eu.
Talvez eu nunca volte ao normal e fique aqui até não restar mais nada, mas eles estarão aqui comigo também, me vigiando no meu sono e torcendo para que eu nunca desperte.

Capítulo 2

Ela chegou novamente para me visitar, mais não está com um sorriso no rosto ou uma carinha de curiosidade, aconteceu algo com ela, o que pode ter se passado com essa criança?  Se deitou aos meus pés e começou a chorar.
Desde que ela começou a vir aqui, sabia que ela não era uma criança como as outras, ela sempre me observava com um brilho nos olhos, como se esperasse eu me mexer e ir abraçá-la, e após algum tempo, essa começou a ser a minha vontade, ir até lá e perguntar o que estava havendo.
Mas hoje em especial, mais do que nunca, eu queria que o feitiço acabasse, pois não sabia o que estava havendo, então ela olhou para mim e disse soluçando:
_ Achava que você fosse acordar, porque você se foi para sempre mamãe ?
Havia entendido, enfim havia descoberto o porquê dela vir até aqui, era por causa de sua mãe, e ela havia morrido hoje. Talvez fosse uma forma dela fugir da difícil realidade vindo até mim achando que fosse sua mãe, me fazendo companhia.
Uma agonia espremeu meu coração, uma aperto muito forte, queria muito ir até aquela criança, não ligava pro livro em minhas mãos nem pros meus guardiões, queria apenas reconfortá-la, então algo aconteceu, algo quente escorreu pela minha face, uma lágrima.

"Então seu coração deixou de ser de pedra e ela voltou a ser carne"

quarta-feira, 13 de março de 2013

E se amanhã eu acordar e perceber que tudo foi um erro?
E se me levantar achando que devia ter seguido em frente pela estrada ao invés de tentar abrir um caminho diferente?
E se olhar pra trás e sentir que tudo poderia estar melhor se não tivesse tentado tirar as coisas de onde estavam?
A chance disso acontecer é muito maior que a certeza de que as coisas vão dar certo, mas mesmo assim tive que seguir com minhas próprias pernas rumo ao desconhecido. E se nada der certo no final das contas, vou saber que as coisas deram errado por culpa das minhas escolhas e não das escolhas que fizeram por mim.

terça-feira, 12 de março de 2013

Estava me sentindo meio sozinha hoje, dai pensei em arrumar um cachorro, mas vou ter que comprar comida pra ele, limpar cocô e xixi e ter muitas outras obrigações, depois pensei em arrumar um namorado, mais ele ia querer que eu ficasse dando satisfações de pra onde vou e com quem, então cheguei a seguinte conclusão: Porque arrumar toda essa dor de cabeça se posso ter um amigo imaginário. Resolvido.